SOPÃO DA ESPERANÇA
Eu sempre fui uma pessoa que achava que os bêbados antes de beber estavam lúcidos e que bebiam porque queriam beber e isso me colocava longe de ter paciência com os bêbados, mas quando descobri o amor de Jesus (mesmo que conheço o evangelho desde a barriga da mamãe) eu descobri que Jesus também amava os bêbados, então me aproximei de um deles e comecei a fazer amizade com ele, vi que na verdade eles são pessoas muito amáveis e que a maioria não gostaria de continuar bebendo mas não conseguem parar. Então eu minha família decidimos levar um deles para nossa casa e trabalhar então na sua recuperação, posso confessar que não foi fácil, o processo de abstinência não foi simples, vômitos, tremedeiras, ataques diversos, delírios, vultos e isso aconteceu por vários dias. Bem, mas passamos todos a viver momentos muitos tensos dentro de casa. Eu tenho duas filhas uma de quatorze anos e outra de sete anos, na época elas tinham três a menos, foi difícil mas foi um aprendizado, aprendemos a amar os dependentes químicos com o amor de Jesus, então decidimos fazer um sopão para cuidar dos bêbados da cidade, começamos fazendo uma sopa que acabou virando um grande almoço e a nossa congregação se envolveu de forma tremenda, inclusive as crianças. Passamos a fazer todos os sábados o que chamamos de “sopão da esperança” eu pego o meu carro e vou nos locais e busco aqueles que estão realmente bêbados, e ali damos um banho neles fornecemos roupas, falamos de Jesus e damos o almoço para eles. Maravilho o resultado tem sido muito bom, alguns já recuperaram outros voltaram para casa, outros foram para clinica de recuperação e já estão trabalhando. Um fato mais incrível aconteceu que eu fiquei cansado e não estava conseguindo fazer tantas coisas na congregação e quem pediu para assumir a frente do trabalho foi a minha filha com quatorze anos de idade que hoje junto com um evangelista lideram o grupo e ela tem uma autoridade de Deus para tratar com eles, hoje eles a respeitam as vezes mais do que a mim.
Descobrimos que o trabalho com os dependentes químicos é um trabalho muito importante mas também ao mesmo tempo é um trabalho que requer muito da igreja do Senhor. Mas descobrimos também que a igreja sozinha não consegue retirar as pessoas da rua.
tivemos a pouco tempo uma experiência que foi muito marcante para nós, nós estávamos trabalhando com alguns dependentes e todos eles estavam morando nas ruas, mas eles se juntaram e montaram um acampamento perto de algumas casas, perto do centro da cidade e os moradores daquele bairro começaram a reclamar pois eles não gostavam de tomar banho e ficava o dia inteiro apurando dinheiro para comprar bebida alcoólica, porém descobrimos que a bebida é muito barato e eles não tinham dificuldades alguma para conseguir de 20 a 30 litros de bebidas por dia, então a prefeitura foi acionada para que retirassem aqueles homens ali porque ali naquela cabana estavam vivendo 15 pessoas entre homens e mulheres e estava acontecendo sexo até mesmo durante o dia, os pais já não queriam mais que seus filhos passassem naquela rua, mesmo sabendo que eles não tinham o costume de roubar todos tinham medo. Então o prefeito da cidade nos ligou e pediu ajuda, porque ele sabia que não seria fácil para tirar aqueles homens da que lugar, porque não tinham acusação contra eles a não ser de estarem trazendo medo para sociedade, nós já estávamos há mais de dois anos cuidando esses homens, mas descobrimos que a maioria deles não gostariam de saída que lugar para não ter responsabilidades com a família pois eles sabiam que se saíssem da que lugar eles teriam de trabalhar e sustentar suas casas seus filhos suas esposas, pois a maioria deles tinham mais que uma mulher, então eu descobri que o problema não era somente espiritual. eu resolvi fazer uma proposta para prefeito, vamos juntos trabalhar para que eles voltem para casa e os que não tem casa nós vamos levá-los para as clínicas e os que moram em outras cidades no os levá-los de volta para suas casas, nós a igreja vamos dar todo apoio social e espiritual, vamos dar banho conseguir novas roupas, dar uma cesta básica para que essas pessoas chegam em casa com alguma coisa para oferecer às suas famílias que já não acreditavam mais nesses homens> Entao assim fizemos, o primeiro passo foi polícia fazer uma abordagem busca de documentos e origem de cada um, um fato interessante aconteceu alguns quando viram a polícia fugiram, nós fomos procurar saber o que o que estava acontecendo e eu descobri que alguns fugiram porque eram foragidos de outras cidades, fomos conversando com um por um sabendo a história real de cada um, então vimos que grande parte do trabalho que estávamos fazendo estava ajudando a pessoas a fugir de problemas com a polícia, na verdade essas pessoas tinham onde morar, tinham onde ficar, mas também tinham uma grande ficha criminal. o nosso trabalho com o sopao nos ensinou que devemos amar os dependentes, mas devemos conhecer primeiro a origem de cada um . a partir daí a prefeitura, a guarda municipal, polícia e a igreja não trabalham mais sem que a pessoa tem uma identificação.
outro fato muito interessante aconteceu quando um dos dependentes citou que fica ali na que local porque ali tenha bebida alcoólica mais barata da cidade, então fomos investigar e descobrimos que a fiscalização nos bares não tinha a mesma intensidade do que nos restaurantes por isso eles vendiam bebidas por preço tão baixo. agora fica mais clara por que o próprio Deus não criou a dicotomia, porque todas as coisas pertencem a Ele, se a política, a prefeitura, a polícia e a igreja estiverem submissas ao Senhor Jesus, todos vamos juntos trabalhar para que haja transformação não somente uma denominação, o chamada igreja.
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